Vamos repensar a relação?

Vamos repensar a relação?

Hoje eu queria propor algumas perguntas pra gente parar e repensar a relação com a comida, com o nosso corpo e com o corpo dos outros.

Quantas vezes você já ouviu “nossa, assim vai engordar”?

Quantas vezes você já deixou de comer algo porque sabia que ia escutar algum comentário assim?

Quantas vezes você deixou de usar shorts ou saia no calor por vergonha das suas pernas, sejam elas finas ou grossas?

Quantas vezes você julgou o que uma pessoa gorda estava comendo?

Quantas vezes você acha que alguém deixou de comer o que estava com vontade por causa de um comentário seu?

Quantas vezes vezes você condenou o que alguém estava vestindo por “não ter corpo pra isso”?

Quantas vezes você ficou com inveja da gordinha que estava de vestidinho curto e com todas as celulites de fora, mas passando bem menos calor do que você?

Quantas vezes você já passou fome achando que assim ia emagrecer?

Quantas vezes você já se arrependeu de ter comido alguma coisa?

Quantas vezes você já suspirou querendo ter o corpo da modelo da capa da revista?

Quantas vezes você pensou em quanto photoshop tinha ali?

Quantas vezes você usou a saúde como desculpa quando seu único objetivo era estético?

Quando foi que o valor de uma pessoa passou a ser inversamente proporcional ao tamanho da sua roupa?

pra repensar a relaçãoAlgumas dessas coisas talvez a gente faça até sem pensar, sem perceber, mas uma ou outra acaba fazendo.

Como diz o melhor professor que já tive na vida Clóvis de Barros Filho, a vida não tem gabarito. Não existe um manual pra vida boa, um só jeito de se viver bem. Então você pode ser feliz com o corpo que você tiver, com a roupa que você quiser e com a alimentação que você quiser.

O que tem que mudar é a nossa cabeça, por isso a proposta de repensar a relação. Temos que parar de julgar tanto o nosso próprio corpo e principalmente o corpo dos outros. Primeiro porque o dos outros simplesmente não nos diz respeito. Segundo porque as nossas maiores encanações são com o que mais criticamos nos outros, então quando julgamos menos os outros passamos a exigir menos de nós mesmos também. Tenta! E depois me conta como foi…

Equilíbrio entre Saúde Física e Saúde Mental

Desde o começo queria falar aqui sobre questões ligadas a saúde, principalmente porque a sobremesa geralmente é considerada a principal vilã de uma alimentação saudável. Não tinha encontrado ainda um jeito de abordar o tema, mas eis que hoje me deparei com essa matéria no globo.com “Bella Falconi, musa do abdômen trincado, dá adeus à rotina radical” e resolvi começar com o equilíbrio entre saúde física e saúde mental.

São vários pontos interessantes para comentar e a maioria está resumida nessa frase: “Durante a viagem repensei sobre minha vida como um todo, não somente na alimentação, mas em tudo. Sempre acreditei muito na importância entre o equilíbrio espiritual, físico e mental, e por todos esses anos pensava ter encontrado esse equilibro. Foi quando na verdade me encontrei. Durante minha lua de mel quase não treinei, comi fora da dieta e não me senti culpada por isso. Meu marido ficou chocado um dia quando me acordou e disse ´vamos treinar?´, e eu respondi que não estava com vontade. Ele disse que jamais imaginou um dia ouvir aquilo de mim e então comecei a refletir sobre como estava levando minha vida”.

Vamos em ordem… A vida tem que ser analisada como um todo, não somente pela alimentação ou pelo corpo. O que a pessoa come ou deixa de comer e o tamanho de roupa que ela usa não podem definir quem ela é, sua personalidade e seu caráter, não podem ser maior do que ela mesma. Lembrando que isso vale para julgamentos que fazemos sobre os outros e sobre nós mesmos também!

O ponto mais importante pra mim é o do EQUILÍBRIO, em todos os sentidos. Nenhum extremo pode ser equilibrado, por definição. Comparando uma pessoa sedentária e acima do peso com outra que segue uma dieta super rigorosa e uma rotina de exercícios bem radical, quem leva uma vida mais equilibrada? Nenhuma das duas! Mas enquanto a primeira tende a ser condenada pela sociedade, a segunda é exaltada e tida como exemplo de vida saudável. O relato da Bella Falconi evidencia que um corpo malhado e definido por fora, pode não estar tão saudável assim por dentro. Na matéria ela conta, por exemplo, que ficava meses sem menstruar por ter uma porcentagem de gordura muito baixa!

Saúde não é só física, é mental também. Quando a pessoa se sente culpada por ter deixado de treinar um dia para fazer uma outra atividade que lhe é prazerosa, ou por ter comido algo que gosta muito, mas que não faz parte da dieta, como fica a saúde mental dela? É possível então que exista equilíbrio? Esse desequilíbrio pode ainda levar a consequências bem mais graves, como distúrbios alimentares, em casos extremos.

Só pra ficar claro, eu não estou defendendo o outro extremo, o da obesidade, mas sim o equilíbrio, que pra mim é onde está a felicidade de cada um.