Deveres da Mulher

Nesse Dia das Mulheres achei importante lembrar que além de alguns Direitos da Mulher, temos todas alguns Deveres da Mulher também! Sem cumprir os deveres, algumas conquistas de direitos deixam de ter tanto valor.

A lista de direitos da mulher, segundo a ONU, é essa:
Direito à vida.
Direito à liberdade e à segurança pessoal.
Direito à igualdade e a estar livre de todas as formas de discriminação.
Direito à liberdade de pensamento.
Direito à informação e à educação.
Direito à privacidade.
Direito à saúde e à proteção desta.
Direito a construir relacionamento conjugal e a planejar a sua família.
Direito a decidir ter ou não ter filhos e quando tê-los.
Direito aos benefícios do progresso científico.
Direito à liberdade de reunião e participação política.
Direito a não ser submetida a torturas e maltrato.

Alguns bem básicos né, mas que sim, precisaram ser ditos para que fossem respeitados em muitos lugares… E a gente sabe que as conquistas vão além disso quando começam a ser aplicadas na prática do dia a dia.

A lista de deveres da mulher quem vai fazer sou eu mesma:
Dever de ser feliz.
Dever de se amar e se respeitar.
Dever de ser ela mesma.
Dever de fazer as próprias escolhas.
Dever de respeitar as escolhas alheias.

Parece fácil né? Mas esse último é um dos mais importantes e que valida todos os outros deveres e até alguns direitos. Se as mulheres não puderem fazer suas próprias escolhas por medo do julgamento de outras mulheres, elas vão acabar deixando de ser elas mesmas, vão estar se desrespeitando e consequentemente vão acabar se amando menos, e certamente não vão ser tão felizes quanto poderiam ser.

Se você fez uma escolha, segundo o que você acha que é melhor para você, respeitando as suas vontades e os seus valores e está feliz com a sua escolha, ótimo! Mas não julgue uma mulher que fez uma escolha diferente, seja na carreira, na família, no jeito de se vestir, no corpo… dê a ela o direito de cumprir os deveres dela, eles não excluem os seus.

Enquanto a gente continuar achando que sabe o que é melhor pra todo mundo e impondo regras de comportamento disfarçadas de receita de felicidade, o direito à liberdade nunca será pleno.

Quem pediu a sua opinião?

Quem pediu a sua opinião?

vivo sabrina ruivo opinião

Outro dia prestei atenção em um comercial da Vivo com a Sabrina Sato que está passando tem algum tempo e me incomodei demais. Procurando pelo vídeo achei algumas matérias e todas descreviam como “Ruivo ajuda Sabrina a manter a forma”. Não é bem assim que eu vejo, e queria dizer algumas coisas pras “Sabrinas” e pros “Ruivos” da vida real. Vou descrever comercial e fazer os comentários.

O garçom serve o pedido da Sabrina e o Ruivo fala “Sabrina, desculpa incomodar, mas eu vi uma pesquisa aqui que diz que o ovo engorda.”

Oi, quem perguntou?? Quem deu te deu o direito de sair dando palpite no prato dos outros?? A menos que você seja nutricionista e a pessoa tenha te pedido (ou pago né) uma opinião, não faça isso! Nem com um desconhecido, por razões óbvias, nem com um amigo.  Algumas pessoas podem achar que isso é um apoio ou um incentivo para que o amigo faça dieta, mas muitas vezes só vai gerar culpa, frustração e ansiedade, e adivinha o que acontece depois? A pessoa vai comer mais do que teria comido quando você resolveu fiscalizar o prato dela.

Sabrina responde com seu clássico “Verdade?”, fazendo cara de dúvida e afastando o prato.

Amiga… jura que você vai deixar de comer algo que estava com vontade por causa da opinião de alguém?? Nesse caso de um desconhecido ainda… Sério, não sei um jeito mais educado de dizer isso: FODA-SE A OPINIÃO ALHEIA!!! Se estiver com vontade coma e pronto! Sem culpa, de preferência.

Ruivo mexe no celular de novo e diz “Ah não, atualizou aqui e um novo estudo diz que não engorda não, pode comer.”

Duas coisas aqui. Primeiro “pode comer”, desde quando ela precisa da autorização dele?? Volto ao primeiro ponto lá de cima, por mais que você ache que está fazendo bem para a pessoa, não, você não tem o direito de controlar o que ela come ou deixa de comer. Pare de ser chato!

A outra coisa eu até achei legal, que é mostrar que sempre tem um estudo novo sobre alimentos que fazem bem ou fazem mal, e que contradiz um estudo anterior. A consequência disso é o que a nutricionista Sophie Deram chama de “terrorismo nutricional”, ninguém sabe mais o que pode ou não comer. Pra mim a questão é relativamente simples: tudo em excesso faz mal!

Ela sorri, pega o prato de volta, se prepara para comer e comenta da velocidade do celular dele.

De novo, coma de acordo com a sua vontade, não de acordo com a opinião de ninguém!

Quando ela vai comer, ele diz que atualizou de novo, que engorda sim e afasta o prato dela novamente.

Sério, se alguém põe a mão no meu prato assim leva uma garfada na mão, no mínimo! Respeito mandou lembranças…

Ela reage perguntando “Você está querendo me deixar maluca?”.

Entendo novamente como uma crítica aos constantes estudos contraditórios.

E por fim a cereja do bolo… a resposta dele: “Não, estou querendo te deixar exatamente como você está agora”, fazendo um movimento com a mão e olhando o corpo dela de cima a baixo.

Por partes… Amigo, dane-se a sua opinião! Que inclusive ninguém pediu, desde o começo! Vou contar uma coisa que talvez você ainda não saiba, as mulheres não estão nesse mundo para agradar seus olhos… A função delas não é serem belas para serem admiradas. Não que elas não possam ser bonitas, você só não tem o direito de controlar isso, porque o corpo é delas! Você pode ter as suas preferências por determinados tipos de corpo, claro, mas é só isso. A preferência é sua, o corpo é dela.

Amiga, sei que as vezes você pode ter sido levada a pensar como os homens, mas leia o que eu acabei de explicar pra eles. O corpo é seu! Você pode querer mudá-lo, porque você tem o direito de controlar isso, mas tem que ser pela sua opinião. Se você ainda age assim, por favor pare e repense.

Por último, para o amigo que escreveu esse comercial: a culpa não é de todo sua, porque acredito que só tentou retratar o que entende que já acontece na vida real, e sei que acontece mesmo. A questão é que você não deveria usar o alcance que tem para perpetuar esse tipo de pensamento e de comportamento, então na próxima tente passar uma mensagem melhor e mais adequada, por favor.

 

 

Eis que eu descubro que já tem uma próxima, e ele só piorou… A continuação mostra os dois segurando o cardápio do restaurante e ela pedindo ajuda pra escolher a sobremesa. Ou seja, ela validou a intromissão dele e agora pede ajuda… trágico! Ela pergunta se pudim de leite, arroz doce e goiabada engordam, ele responde que sim pra todos. Ela então se pergunta se vale a pena tanto sacrifício… e ele responde que vale!!! De novo… Amigo, a decisão é dela! Amiga, você pode e deve se perguntar se os sacrifícios valem ou não, e só você pode responder! Não dê esse poder a mais ninguém!

Beleza sem retoque

Beleza sem retoque

Aerie sem retoque

Vocês viram no UOL essa matéria falando de uma empresa de lingerie e moda praia americana que decidiu que suas campanhas seriam sem retoque nos corpos das modelos e viu suas vendas aumentarem mais de 10% em um ano? A marca em questão é a Aerie, da American Eagle. Eles adotaram em 2014 a ideia de que “não é preciso editar a beleza” e incentivam que as consumidoras postem fotos usando os produtos, também sem retoque, usando a #AerieReal.

Pra mim parece bem lógico que a consumidora fique mais satisfeita com o produto depois (e consequentemente volte a comprar outras vezes) quando ela sabe melhor o que esperar de uma roupa ou lingerie. Se quando você vê uma peça numa foto toda esculpida acha linda, mas quando põe no seu corpo ela não é tão incrível, acaba ficando decepcionada e não volta a comprar. O erro obviamente não está no seu corpo, até porque como podemos ver nas fotos dessa marca os corpos das modelos também não são perfeitos, acredite!

OK que a maioria das modelos é beeem magra, que elas sabem posar pra foto, ou seja, conhecem seus melhores ângulos e posições e que os fotógrafos também sabem o que estão fazendo, conseguem usar a iluminação a favor. Isso faz com que as fotos no Instagram da Aerie sejam bem bonitas e em várias eu nem tenha lembrado que são sem retoque. Em algumas dá pra ver uma “gordurinha” saltando em um elástico (sim, isso acontece até nas modelos super magras), dobras ou uma barriga “positiva” em certas posições, estrias… Olha alguns exemplos:

aerie sem retoque mont 2

As campanhas da Aerie servem pra mostrar que na verdade nem as modelos de revista tem corpos de revista, aquela “perfeição” não existe! Perfeito é ser você mesma, é estar confortável e confiante! “Ah, mas as imperfeições delas são mínimas, assim é fácil”. Sim, concordo, mas quantas pessoas você conhece que se torturam e odeiam seus corpos também por imperfeições que você considera mínimas? Acho que tendemos a ser mais críticas com o nosso próprio corpo e os problemas dos outros são sempre menores né…

Além das fotos dos produtos o Instagram da marca também tem várias frases motivacionais e inspiradoras, fotos de docinhos apetitosos e de consumidoras usando as peças. Isso tudo é tão legal e tão importante, porque cria um círculo vicioso positivo. A marca vende a ideia de que as mulheres não tem que ter corpos perfeitos pra usar seus produtos. A cliente se identifica, compra não só o produto como a ideia, e se sente à vontade pra postar fotos “imperfeitas” e sem retoque, como a marca sugere. Isso gera uma aproximação e cria uma consumidora fiel. Consumidores fiéis compram sempre, o que aumenta as vendas. Aumentando as vendas a empresa sabe que está no caminho certo e se empenha cada vez mais nesse tipo de campanha. Por isso é tão importante que as vendas tenham aumentado, pra acabar com o argumento do resto do mercado que diz que se não fizer fotos cheias de edição as pessoas não compram e as vendas caem, taí a prova de que não é bem assim. Talvez até as fotos evidenciem possíveis mudanças no corte das peças que a empresa pode aproveitar para deixá-las mais bonitas e confortáveis.

Qual a consequência disso tudo? Pra empresa aumento nas vendas e fidelização de clientes, pras mulheres aumento da autoestima (e boas lingeries), pro mercado a lição de que é possível vender (até mais) com corpos reais, pra sociedade uma quebra de padrões que estávamos precisando faz tempo!

 

Imagens: @aerie

Sejamos a Força do Bem!

Sejamos a Força do Bem!

Estava pensando sobre a força que algumas pessoas, principalmente as “diferentes”, tem que ter para enfrentar certas dificuldades. Sobre como as nossas atitudes podem fazê-las se sentirem deslocadas e inadequadas, dificultando até que elas mesmas se aceitem. Ainda que por despreparo e não por maldade podemos fazer comentários preconceituosos que entristecem e acabam com o dia de alguém. Aí me lembrei do oposto, de um Instagram que eu sigo no meu perfil pessoal que é o @temporarypeople. A ideia lá é contar pequenas histórias com momentos em que uma pessoa desconhecida cruza o caminho de alguém e torna pelo menos aquele dia mais Palavra Gentil Força Boafeliz. É muito legal ler aqueles depoimentos e ver o bem que um gesto cordial, um abraço, um conselho ou uma palavra podem fazer. É legal porque ela mostra quando os efeitos são positivos e fazem bem. Mas será que nossas atitudes e nossos comentários são sempre gentis assim? Do mesmo jeito que podemos fazer o mal sem intenção, podemos nos esforçar para fazer o bem conscientemente.

Na teoria é fácil, é só pensar em “não fazer aos outros o que não queremos que façam conosco”. Ninguém quer ser julgado, criticado, discriminado, e ainda assim julgamos, criticamos e discriminamos, principalmente quem tem o pensamento, a aparência ou o comportamento diferentes dos nossos. Cada um tem a sua história de vida, que é única, e vai interpretar as situações da sua maneira, de acordo com as suas experiências, com o seu repertório pessoal. Um mesmo comentário feito a duas pessoas pode gerar emoções completamente distintas. Ainda que seja com a mesma pessoa, se estamos em um dia bom podemos levar uma piada mais na boa e até rir, se já estamos fragilizados pelo acúmulo de outros acontecimentos podemos ficar irritados ou pior, magoados.

Aqui entra a autoestima, a opinião de cada um sobre si mesmo. Se ela está firme e forte, nenhum comentário negativo vai ser capaz de abalar a certeza que temos dos nossos valores, já os positivos serão sempre muito bem recebidos e a reforçarão. Agora, se ela já não estiver lá muito bem, não só qualquer crítica é potencializada e nos faz duvidar de nossos valores, como fica difícil acreditar que os elogios que recebemos sejam sinceros, isso quando os percebemos, porque nesse caso a tendência é identificarmos, acreditarmos e interiorizarmos somente os comentários negativos.

Ninguém tem uma luzinha indicadora de autoestima na testa, então não sabemos como está a de cada pessoa que cruza nosso caminho. As nossas palavras e as nossas atitudes podem ter muita força, tanto pro bem quanto pro mal. Se todos tentarmos ser sempre a força do bem, certamente faremos um mundo melhor e com menos sofrimento para que os que se sentem diferentes, excluídos e inadequados.